Troca com Troco: Vale a Pena?

Neste ano de crise financeira e queda no número de vendas de veículos em todo o Brasil, uma nova modalidade de financiamento de carros vem ganhando espaço. A chamada “troca com troco”, ou também “troco na troca”, virou uma opção para as concessionárias, que oferecem esse modelo de refinanciamento de veículos para tentar atrair mais consumidores e impulsionar as vendas, já que o cliente, além de um carro novo, sai da loja levando também uma quantia em dinheiro.

Mas o que é exatamente essa “troca com troco”? Será que realmente vale a pena? Se sim, sob quais circunstâncias e em quais situações? É importante ter acesso a todas as informações sobre esse tipo de negócio, para não se empolgar com a possibilidade de conseguir um dinheiro fácil e depois ficar com uma dívida que não estava nos planos.

O que é?

Como dito, é extremamente importante saber exatamente do que se trata a “troca com troco”, antes de ver se esse modelo de financiamento será realmente vantajoso para você.

A "troca com troco" pode ser uma boa opção para quem está endividado.

A “troca com troco” pode ser uma boa opção para quem está endividado.

De maneira geral, a “troca com troco” é uma forma de refinanciamento de veículos, na qual você vende o seu carro usado para a concessionária, e usa parte do dinheiro para dar como entrada em um novo automóvel, financiando com condições especiais o restante a ser pago. A diferença entre o valor da venda do seu carro e a entrada no novo é a quantia de dinheiro que fica com cliente. Sendo assim, por essa modalidade de negócio, você pode trocar de carro e ainda sair com certa quantidade de dinheiro no bolso, já que a maior parte da sua nova compra será financiada.

Vamos a um exemplo simples, mas que ajuda a entender. Digamos que você esteja interessado em um veículo novo no valor R$ 35 mil, e o seu carro usado vale R$ 20 mil.

Você poderá vender o seu veículo para a concessionária por estes R$ 20 mil. Deste valor, você dá R$ 10 mil como entrada do carro novo, sai com os R$ 10 mil restantes, e financia os outros R$ 25 mil. O prazo para este financiamento pode chegar a até 60 meses (cinco anos), com juros mensais que variam de 0,99 a 1,9%.

Ou seja, neste exemplo, você venderá o seu carro usado, dando parte do valor como entrada e financiando o restante. E ainda sairá com R$ 10 mil no bolso.

Quando vale a pena

Embora seja tentadora essa possibilidade de trocar de carro e ainda conseguir uma boa quantia de dinheiro, deve-se ter muita cautela antes de fazer essa escolha, já que isso implicará em um financiamento de longo prazo, com uma taxa de juros considerável.

Resumindo, a “troca com troco” só é vantajosa para pessoas que tenham dívidas mais caras, com taxas de juros maiores, como o cheque especial, juros do cartão de crédito ou empréstimo pessoais em bancos.

Isso porque, nestes casos, você poderia usar esse valor conseguido através da “troca com troco” para pagar essa dívida maior, tendo um financiamento com condições melhores para o futuro, podendo se planejar melhor financeiramente. Em outras palavras, você troca um dívida com juros muito alto por outra com taxas mais baixas e vantajosas.

Por exemplo, simulando um financiamento pela “troca com troco”, de R$ 10 mil a ser pago em 48 meses, com uma taxa de juros mensal de 1,4%, em que a entrada seja de 30% do valor total do veículo, o cliente pagaria aproximadamente R$ 3,8 mil com juros. Já essa mesma dívida no cheque especial, paga no mesmo prazo, o consumidor teria que desembolsar até R$ 43 mil só com juros. Ou seja, uma diferença de R$ 39 mil.

Isso ocorre porque as taxas de juros de outros tipos de crédito são bem maiores. Só para ficar em alguns exemplos, empréstimos feitos por crédito pessoal têm taxas médias de 7%, de acordo com dados do Banco Central, no crédito consignado a taxa média é de 2,7%, e no cheque especial, segundo o Procon, pode chegar a até 11%. Isso faz com que o valor pago com os juros, para a “troca com troco”, seja consideravelmente menor.

É por esse motivo que a “troca com troco” pode sim valer a pena, mas desde que a pessoa realmente precise de uma certa quantia de dinheiro para quitar outra dívida, que tenha taxas de juros maiores, trocando-a por um financiamento com condições mais vantajosas.

Entretanto, essa é uma das únicas situações em que a “troca com troco” pode ser um bom negócio. Se você estiver apenas querendo trocar de carro, não tendo outra dívida maior que esteja comprometendo sua saúde financeira, dê preferência aos modelos mais tradicionais de financiamento.

Porque, embora seja tentadora a oportunidade de conseguir uma quantia razoavelmente alta de dinheiro na mão, isso não será de graça, e você terá que enfrentar um longo financiamento.

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